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Política | Eleição Suplementar 2017 e o tabuleiro do jogo para 2018

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Amazonas | (02/09/2017)

A eleição suplementar do Amazonas foi uma experiência que permitiu aprendizagem e efeitos secundários na sobrevivência política dos seus atores, seja positivo ou negativo. Segue análise

Análise 01: Movimento ”estratégico” de Omar Aziz

O Senador Omar Aziz em primeiro momento provocou surpresa de seus aliados após apontar e afirmar que Amazonino Mendes seria o personagem principal desta eleição, cujo objetivo seria reconduzir o Estado ao equilíbrio novamente. Omar já tinha conduzido uma disputa vitoriosa contra Eduardo Braga em 2014, e agora em 2017, travou outra disputa assumindo a liderança do grupo com uma indicação que poucos acreditavam que daria certo. Senador Omar Aziz apostou certo, nas primeiras semanas de campanha, pesquisas internas já apontavam um crescimento elástico de Amazonino Mendes. A vitória de Amazonino Mendes drenou possíveis forças políticas (Marcelo Ramos\Eduardo Braga) que poderiam oferecer resistência em 2018.

Análise 02: Movimento ”desorganizado” de David Almeida

Neste processo, surgiu uma outra frente de resistência chamada David Almeida, que posteriormente perdeu em todas as tentativas e chega ao final deste processo ”isolado”. David foi impulsivo, tentou jogar no nível que não tem preparo. Existe uma afirmativa dos poucos apoiadores de que David virá forte para 2018, uma ”falsa” especulação, no tabuleiro do jogo de 2018, David não tem ”peças” e nem ”influência” com prefeitos do interior ou deputados. Os deputados que apoiaram David no 1º turno em pouco mais de três dias pularam para o lado de Eduardo Braga, assim como Prefeitos fecharam seus apoios. Você acredita mesmo que Prefeitos e Deputados vão caminhar com David Almeida em 2018?. Sem chances!

a. David Almeida não conseguiu ser candidato\b. Não conseguiu eleger Rebecca Garcia\ c. Perdeu todas as tentativas de ”forçar”uma eleição indireta\ d. Indicou Abdala Fraxe para ser vice, o mesmo foi condenado ficha suja\ e. Não conseguiu liderar e firmar um grupo político\ f. Não conseguiu autonomia no comando do governo, após ser interditado pelo TCE\ g. Não conseguiu exito no TJAM em reverter decisão do TCE\  h. Deixa o governo enfrentando uma série de denúncias de corrupção.

Análise 03: Movimento ”Kamikaze” de Marcelo Ramos

”Kamikazes eram pilotos que jogavam seus aviões contra navios americanos, com objetivo de matar e morrer”. Marcelo Ramos e a figura mais recente de ”Kamikaze” em sua própria carreira política. Todas as pesquisas internas apontavam Marcelo Ramos com capital eleitoral com chances de vitória, principalmente na capital. O que motivou Marcelo Ramos a mudar de grupo novamente e se aliar a Eduardo Braga?. Marcelo alcançava margem de 18% a 20% de intenções de votos na capital. Marcelo Ramos foi um ”fenômeno”, segundo pesquisas internas. Ramos aumentou sua rejeição durante a campanha! Marcelo tem 2 desafios, qual grupo vai querer Marcelo Ramos e quem vai acreditar seu voto em Marcelo Ramos.

Comportamento impulsivo e prepotente nos bastidores da política amazonense, Marcelo Ramos já pertenceu ao PC do B, foi aliado ao Serafim Corrêa, aliado a José Melo, aliado a Alfredo Nascimento e Eduardo Braga. Qual grupo falta Marcelo se aliar?

Pesquisas internas evidenciam, Marcelo Ramos foi ”peso 0” para campanha de Eduardo Braga, isso e inquestionável.

Análise 04: Movimento ”Forçado” de Eduardo Braga

O Senador Eduardo Braga lutou contra tudo e todos para ser candidato. A imposição de sua candidatura afastou apoios e aproximou apoios negativos, caso de Marcelo Ramos. Uma das premissas das campanhas eleitorais, preza que o candidato deve sair com uma imagem melhor do que entrou na disputa. Braga, não conseguiu esse feito, acumulou rejeição e desceu desempenho quando comparado proporcionalmente ao 1º turno. No campo do marketing politico, ou você cria uma história para encaixar o candidato, ou você encaixa o candidato a uma determinada história. Eduardo Braga sai da campanha sem responder essa pergunta. Existe uma necessidade de se refazer ou se reinventar, pois Eduardo Braga se perdeu na sua comunicação com o eleitor amazonense.

Considerações finais

A vitória de Amazonino, já produziu movimentos positivos para 2018, ou seja, Marcelo Ramos que guardava um capital eleitoral e poderia vim forte em 2018, sai praticamente dizimado desta eleição. Eduardo Braga que se fortaleceria com uma possível vitoria, sai da disputa fraco, sem crédito em liderar um grupo político e com sérias tomadas de decisão sobre disputar o Senado ou até mesmo um cargo para deputado federal no próximo ano.

Alfredo Nascimento deverá se aproximar novamente do grupo de Amazonino Mendes, uma questão de sobrevivência.

Os deputados estaduais não vão fazer resistência como estão sendo convocados por David Almeida, próximo ano e ano de reeleição. Vários deles estão em risco eminente de não voltar a ALE.

Sidney Leite, Josúe Neto, Dermilson Chagas e Adjuto Afonso dizimaram o outro grupo de deputados, que não conseguiram mobilizar bases para eleger Rebecca Garcia e Eduardo Braga. O que o futuro reserva para Sabá Reis, Dr. Gomes, Platiny Soares, Alessandra Campêlo (ex PC do B, que virou PMDB) e o mais prejudicado, Abdala Fraxe. Abdala foi condenado e curiosamente desempenha função na ALE, fato questionável e precisa de intervenção.

Os prefeitos do interior não vão caminhar contrários ao novo governador. Prefeitos do Amazonas são bons em contar números, fazem matemática precisa, portanto, dificilmente deverão apoiar um bloco de resistência a Amazonino Mendes.

José Ricardo é um nome que só vem crescendo nas últimas eleições, escolheu um vice sem força de votos, enfrentou rejeição quanto ao seu partido. Logo deverá decidir, pois certamente terá vaga certa para deputado federal.

David Almeida já sai isolado do governo, serão dias difíceis na ALE. Talvez David decida baixar a cabeça e não fazer oposição a Amazonino Mendes. Historicamente David tem bom desempenho em seguir liderança, foi o principal defensor de Jose Melo, por ter engavetado vários pedidos de CPI. David é ingênuo, acredita que deputados e prefeitos estão a sua espera em 2018 como líder de um projeto vencedor. Por fim, 2018 está próximo e as peças já estão em movimento no tabuleiro.

Eric Lima Barbosa

 

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