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Últimas | Governo cubano se pronuncia após rompimento do Programa Mais Médicos

Manaus |16 de Novembro de 2018 (Quarta-feira)


Após o governo cubano anunciar na última quarta-feira (14) que sairá do “Programa Mais Médicos”, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), o Amazonas pode perder cerca de 292 médicos.

Os médicos do país caribenho representam 62,5% do total de profissionais que atuam em unidades públicas de saúde do Brasil. A atuação dos médicos cubanos no Amazonas se dá principalmente em locais de difícil acesso que a maioria dos médicos brasileiros se negam a ir, as populações beneficiadas são aquelas que sofrem com a falta de atendimento nos interiores do estado. Mesmo assim, Jair Bolsonaro diz que duvida que alguém queira ser atendido pelos cubanos.

O acordo entre Brasil e Cuba em relação ao “Programa Mais Médicos” é efetivo desde 2013, criado no governo da ex-presidente Dilma Rouseff para beneficiar regiões sem cobertura médica.  Apesar de Cuba enviar ao Brasil médicos capacitados e certificados, Bolsonaro disse: “Qualquer estrangeiro vindo trabalhar aqui na área de medicina tem que aplicar o Revalida. Se você for para qualquer país do mundo, também. Nós não podemos botar gente de Cuba aqui sem o mínimo de comprovação de que eles realmente saibam o exercício da profissão. Você não pode, só porque o pobre que é atendido por eles, botar pessoas que talvez não tenham qualificação para tal.”

O governo Cubano informou saída do programa, mas o comunicado não especifica a data em que os médicos deixarão de trabalhar no programa.

“O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa”, diz a nota do governo.

Nova seleção

Nesta sexta-feira (16), o Ministério da Saúde realizará reunião com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) para a definição da saída dos médicos cubanos e entrada dos profissionais brasileiros que serão selecionados por edital.

“Será finalizada a proposta de edital para selecionar profissionais para as 8.332 vagas que serão deixadas pelos médicos cubanos. No início à da próxima semana, será dada coletiva de imprensa para esclarecer detalhes sobre o edital de seleção e chamada para inscrições. A seleção de profissionais brasileiros em primeira chamada do edital será realizada ainda no mês de novembro e o comparecimento aos municípios, imediatamente após a seleção”, informou o Ministério da Saúde por nota.

Redação por Beatriz Araújo

Foto: Reprodução