quinta-feira, junho 20, 2024
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Pesquisa avalia efeitos de drogas sintéticas no sistema nervoso central

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Um estudo está sendo desenvolvido para avaliar os efeitos da exposição prolongada das drogas sintéticas no sistema nervoso central.

Apesar dessas drogas sintéticas serem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é de conhecimento geral que elas são comercializadas ilegalmente com argumento de serem menos prejudiciais do que outras drogas.

Por esse motivo a Fiocruz Minas está avaliando os efeitos da exposição prolongada a dois desses compostos sintéticos, 25H-NBOMe ou 25H-NBOH, verificando os impactos de cada um deles no hipocampo, estrutura cerebral que atua na formação de novas memórias, no aprendizado e na regulação das emoções.

Os resultados prévios mostram que as duas drogas pertubam o equilíbrio entre células cerebrais, pois interferem na formação de novos neurônios, além de causar a morte deles.

Desenvolvimento da pesquisa

Para investigar tais efeitos, os pesquisadores usaram um modelo ex-vivo, que são experimentos realizados em órgãos e tecidos fora do organismo.

Para esse estudo em específico, fatias de hipocampo de ratos criados em laboratório foram incubadas na presença de uma pequena dose de 25H-NBOMe ou 25H-NBOH durante sete dias e após, por igual período sem as drogas.

De acordo com o pesquisador Roney Coimbra, coordenador do estudo, foram avaliados os efeitos de cada uma das drogas no decorrer desse período e foi constatado uma redução de neurônios maduros a partir do segundo dia de cultivo com 25H-NBOMe e a partir do sétimo dia de cultivo com 25H-NBOH.

Os resultados mostraram também que a exposição a 25H-NBOH induziu a neurogênese, que é o processo de formação de novos neurônios, o que poderia ser considerado um efeito positivo. Entretanto, os pesquisadores verificaram que esses novos neurônios não expressam características de neurônios maduros, permanecendo imaturos.

Além dessa análise fenotípica, em que se avaliam as características morfológicas das células e do tecido, os pesquisadores fizeram uma análise molecular, verificando a expressão de genes, de forma a trazer mais clareza aos resultados obtidos.

Nesse momento foi constatado que ambas as drogas ativam genes relacionados à excitabilidade, que é a capacidade da célula de responder a estímulos, e à transmissão sináptica, que é o processo de transmissão de informações entre os neurônios.

Os dados revelados neste estudo podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas antidrogas. Entretanto, segundo o pesquisador, é importante destacar que novas pesquisas precisam ser feitas, para ampliar a compreensão sobre o tema.

Ele destaca ainda que pode haver variações na resposta individual às drogas, devido às diferenças na saúde mental de cada pessoa e no ambiente social.

 

Sobre as drogras sintéticas 

As drogas sintéticas são, em sua maioria, moléculas desenhadas para driblar os órgãos de controle, ao manterem os efeitos de outras substâncias já proibidas.

Por isso é  importante colocar esse tema em pauta, falar dos riscos que representam à saúde, pois são drogas que estão chegando ao Brasil de forma muito rápida.

Controlar a entrada de tais substâncias é difícil, pois, a mudança de um único átomo na composição, já as retira da lista de substâncias proscritas.

Além disso, muitas dessas drogas são mais baratas, tornando-as acessíveis a diversas classes sociais.

Ainda, conforme afirma o pesquisador, entre os problemas causados pelo uso dessas drogas estão convulsão, pânico, taquicardia, hipertensão, agressividade, agitação, entre outros.

 

Texto: da redação.

Fotos: divulgação. 

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Eric Lima

Criador do Portal Pontual

Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na área de concentração de Epidemiologia de Agravos e Prevalentes na Amazônia pelo instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/FIOCRUZ), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Pará (UFPA - 2013). Tem experiência em pesquisa na área de Epidemiologia, Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, Avaliação de Serviço em Saúde e Saúde Baseada em Evidências, desenvolvendo estudos nos temas: Tuberculose, Resistência aos fármacos, Tuberculose Multirresistente, Coinfecção TB/HIV.

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