sábado, março 2, 2024
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Com BC, dólar fecha a R$ 3,388, em queda de 0,9%, apesar de alta global

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RIO – O dólar comercial fechou em queda de 0,9%, cotado a R$ 3,388, tendência dos últimos dois pregões e na contramão do mercado global — contra seis divisas internacionais, a moeda americana tem o maior valor em 13 anos. Foi o terceiro pregão com intervenções do Banco Central. Numa semana de volatilidade, com os mercado sob o “efeito Trump”, o dólar acumula queda de 0,18%. Porém, considerados apenas os últimos três pregões (terça, quinta e sexta), o recuo é de 1,56%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,32%, a 59.961 pontos. Na semana, acumula ganho de 1,13%.

As ações da Petrobras fecharam com direções opostas. Enquanto as ON (ordinárias, com direito a voto) perderam 0,24%, a R$ 16,42, as PN (preferenciais, sem direito a voto) ganham 1,6%, a R$ 14,52. A Vale, que vem sendo afetada pelas oscilações no minério de ferro, perdeu 0,68% nas ON e 1,42% nas PN. Já para o setor bancário, o mais importante do Ibovespa, o dia foi de ganhos. As ações de Banco do Brasil avançaram 2,93%. As do Bradesco, 1,73%. As do Itaú, 0,94%. O Santander teve ganhos de 5,47%, os mais altos do pregão.

Nesta manhã, o Banco Central fez a rolagem de 20 mil contratos de swap tradicional (equivalente à venda futura de dólares) para os papéis com vencimento em 1º de dezembro e vendeu dez mil contratos novos. Por sua vez, o Tesouro fez recompra de 160 mil NTN-Fs, após propor aquisição de um milhão de papéis, a fim de diminuir a volatilidade nos juros.

— O duplo ataque, de BC e Tesouro, está surtindo efeito. Além disso, o pessimismo baixou — diz Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset Wealth Management. — E o real “apanhou” muito depois da eleição de Trump. É natural e saudável que esteja acontecendo alguma realização agora.

Para Paulo Gala, gestor de renda fixa do banco Fator, o BC tem tido sucesso em atenuar os movimentos da moeda, que é pressionada para direções opostas pelos fatores internos e externos:

— O câmbio no Brasil está oscilando entre duas tendências: quando pesam mais os fundamentos da economia brasileira, o real ganha força contra o dólar. Quando pesa mais o “efeito Trump”, o dólar avança — explica.

Com superávit da balança comercial projetado em US$ 50 bilhões para este ano, o Brasil deve ver sua moeda se apreciando — a tendência é que fique abaixo de R$ 3,50, estima Gala. Porém, as ondas de pânico originadas pela chegada de Donald Trump à Casa Branca puxam a valorização do dólar.

— Essas ondas de pânico estão menores, mas ainda não acabaram. Podem ressurgir ímpetos desse tipo a cada nome que é aventado para a equipe econômica. Afinal, o mundo quer saber como será a política econômica dos EUA — frisa o gestor. — Neste cenário, a dinâmica interna do Brasil fica em segundo plano. E as atuações do Banco Central amortecem os movimentos, mas não ditam a direção do câmbio.

Economista do Santander, Tatiana Pinheiro também enfatiza a racionalidade que deve limitar os movimentos do câmbio, após a disparada do dólar nos dias que se seguiram à eleição de Trump.

— O movimento do câmbio no Brasil está dentro do esperado. Não deve piorar nem melhorar muito — prevê, destacando que não acredita que o dólar galgará novos patamares. — Para que isso aconteça, teria de haver uma piora no cenário em 2017. Mas, hoje, o país tem baixa dívida externa, alto volume de reservas internacionais e alta capacidade de resposta aos mvomentos cambiais, com uma corrente comercial de porte.

Tatiana Pinheiro lembra ainda que o câmbio já passou por um forte ajuste no ano passado, quando dólar saltou de R$ 2,20, no início do ano, para R$ 3,96, no fim.

— Na época, as transações correntes contabilizavam déficit enorme. A balança comercial registrava seu primeiro déficit, e agora acumula superávit de US$ 50 bilhões.

A conta de transações correntes é formada por balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior). O resultado deste ano é melhor devido ao superávit da balança comercial, menores gastos com viagens internacionais e remessas de lucros em meio ao cenário de recessão cada vez mais intensa. Em 2014, a conta foi negativa em R$ 91,3 bilhões. Neste ano, até setembro, acumula déficit de R$ 13,6 bilhões.

Para a economista, a taxa de equilíbrio fica entre R$ 3,40 e R$ 3,60. No fim do ano, a moeda deve ficar em R$ 3,45. E, em dezembro de 2017, em R$ 3,65. Já Gala, do Fator, acredita que, se o mercado se acalmar, o câmbio tem tudo para voltar a R$ 3,30. Spyer, da Mirae, vez, avalia que o mercado não está livre de uma disparada e pode até encostar em R$ 4.

DÓLAR AVANÇA NO MERCADO GLOBAL

No mercado internacional, o dólar avança 0,1%, conforme o Dollar Index Spot (DXY), que compara a divisa com outras dez moedas globais, a 100,97, maior nível desde março de 2003. É o décimo dia de valorização da moeda, mais longo período de valorização desde 2012. Na semana, o indicador acumula valorização de 1,5%, com investidores no mundo todo esperando elevação dos juros nos EUA, o que tende a atrair capitais para o país e leva à apreciação da moeda americana. As chances de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) aumentar as taxas básicas são de 96% agora, indicam as negociações com contratos futuros.

Ontem, o México aumentou sua taxa de juros em 0,5 ponto percentual, para 5,25% ao ano, em resposta à depreciação de 10% do peso desde a vitória de Trump. No acumulado do ano, a perda é de 18%. Na Malásia, o riggit cai 0,6%, e o BC local diz está intervindo no mercado de câmbio. O yuan, da China, atinge seu menor valor desde junho de 2008. Na Índia, a rúpia caiu abaixo de 68 por dólar pela primeira vez desde junho e, em resposta, os bancos estatais venderam dólares.

O petróleo do tipo Brent, referência para o mercado brasileiro, opera com ganho de 0,52% em Londres, a US$ 46,73 por barril. Já o WTI, negociado em Nova York, tem oscilação positiva de 0,37%, a US$ 45,59. Já o ouro, que perde quando os investidores se voltam para outros ativos seguros, como o dólar e os Treasuries (títulos do Tesouro americano) recuou 0,69%, a US$ 1.208,50 a onça troy (31,1g).

Nos EUA, os índices estão no negativo: Dow Jones perde 0,15% e S&P, 0,19%. Na Europa, o FTSE, de Londres fechou com queda de 0,28%. O CAC 40, de Paris, recuou 0,52%. O Dax, de Frankfurt, cedeu 0,2%.

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Eric Lima

Criador do Portal Pontual

Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na área de concentração de Epidemiologia de Agravos e Prevalentes na Amazônia pelo instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/FIOCRUZ), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Pará (UFPA - 2013). Tem experiência em pesquisa na área de Epidemiologia, Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, Avaliação de Serviço em Saúde e Saúde Baseada em Evidências, desenvolvendo estudos nos temas: Tuberculose, Resistência aos fármacos, Tuberculose Multirresistente, Coinfecção TB/HIV.

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