São Paulo – Em meio ao caos que o mundo vive por causa do coronavírus, um caso chocou o Brasil nas últimas horas. Um menino de 11 anos era mantido dentro de um barril com as mãos e pernas amarradas, e estava sem se alimentar e beber água há 3 dias, em Campinas.
O barril era fechado por uma telha e com uma pia de mármore por cima, para impedir a saída do garoto.

O fato somente foi descoberto por causa de uma denúncia anônima, que levou uma equipe de policiais militares, no sábado (30), ao Jardim Itatiaia, onde o garoto estava.
O pai biológico e a madrasta do menino, que deixavam o garoto dentro do barril, disseram à Polícia Militar, que a criança tinha problema psiquiátrico e dava trabalho. Os dois foram detidos e a filha da madrasta.

Quando os policiais chegaram ao local, se depararam com uma situação inacreditável e de total desamparo.
“O garoto foi tratado de forma desumana e com requintes de crueldade. O menino estava três dias em pé e sem, sequer, beber água”, disse um policial.
O 2º Sargento Mike Jason presenciou toda a ocorrência e descreveu a situação em que o menino foi encontrado como “desoladora”. “Ele disse para mim que chegou a comer fezes, porque não davam comida para ele”, relatou.
Em pé no espaço do barril
De acordo com as autoridades, o menino era mantido em pé no espaço do barril, por isso suas pernas estavam inchadas. Ele também fazia suas necessidades fisiológicas no local.
Já acontecia há sete anos
O policial relatou que foi difícil retirar o garoto do barril. “Quando chegamos, tivemos que usar ferramentas para cortar cabos que o mantinham amarrado. Era uma construção que ficava no topo do barraco, sujeito ao sol —e fazia muito calor quando chegamos, e também à chuva”, descreveu.
Segundo apuração das autoridades, essa situação já acontecia há sete anos. (informações do UOL).
Comida e água
Depois do resgate, o menino recebeu comida e água, e foi encaminhado para o médico e no momento aguarda os resultados dos exames.
O caso está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar e foi registrado na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas (DDM).
Conselho negou conhecimento da tortura
Em nota divulgada na segunda-feira (1º), o Conselho Tutelar de Campinas (SP), negou que tinha conhecimento da tortura vivida por uma criança de 11 anos, mantida com as mãos e pés acorrentados dentro de um barril de ferro.
Conforme o Conselho, a família do garoto era acompanhada há aproximadamente um ano, fiscalizada quanto à situação de vulnerabilidade social.
“As últimas informações sobre o caso, obtidas entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, mostram que a ‘situação da criança e da família vinha evoluindo bem e positivamente’”, relatou o Conselho.
No comunicado, o órgão defende que “não atua nem como polícia, nem como juiz, nem como serviço”, mas que é responsável por zelar pelo cumprimento dos direitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). (Informação do G1)
“Identificada à violência e a violação do direito, cabe ao órgão requisitar do poder público o atendimento condizente com cada uma das situações identificadas, seja ela de saúde, de educação, socioassistencial, dentre outras. (…) No sábado, ao tomarmos conhecimento da notícia do crime cometido contra ela por seus responsáveis, este Conselho Tutelar, como já vinha fazendo, tão logo tomou conhecimento da gravidade, vem tomando as providências e as medidas necessárias para a garantia dos direitos da criança e para sua proteção como cabem ao órgão”.
O menino está internado sob a tutela de uma tia.O caso também é acompanhado pelo Ministério Público (MP), no qual informou a abertura de uma investigação sobre o caso pela promotora da Infância e Juventude de Campinas Andrea Santos Souza, que no momento não vai falar sobre o caso.
A investigação também vai apurar até que ponto órgãos ligados à prefeitura como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Centro de Referência da Assistência Social (Cras), além do Conselho Tutelar, sabiam da situação. (informações do G1).
Por Alessandra Aline Martins
Foto: Divulgação

