Após contratar uma empresa acusada de fraude licitatória por R$ 14 milhões, o prefeito Beto D’Ângelo, de Manacapuru, pretende gastar o total de R$ 3,6 milhões com aluguel de veículos. Com o valor suficiente para efetuar a compra dos veículos, o gestor contratou duas empresas para atender a necessidade da administração municipal.
Conforme dois documentos de contrato publicados no Diário Oficial da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), desta segunda-feira, 5, as empresas A. G. P. Transporte Construtora e Empreendimentos Ltda, de 13.137.636/0001-21, e Kapef Serviços de Construção e Transporte Ltda, de 07.322.675/0001-04, devem receber R$ 2,4 e 1,2 milhões.
Com base em dados da Receita Federal, a A. G. P. Transporte, mais conhecida como Transportes Duarte JR, possui sede em Manacapuru e, desde 2011, atua no ramo de locação automotiva. A empresa tem capital de R$ 800 mil, e tem como proprietários Afrânio Gilson Pereira Ribeiro e Ellen Patrícia Goncalves da Silva.
Já a empresa Kapef atua no ramo de montagens industriais desde 2005 e também realiza a locação de veículos. A empresa está localizada em Iranduba, a 85 quilômetros de Manacapuru. Possuindo capital de apenas R$ 500 mil, a contratada tem como donos Edilsone Santos de Souza e Áquila Cordovil Cantuario de Souza.
Revolta popular
Populares se mostram revoltados com os gastos dos últimos meses realizados pela Prefeitura de Manacapuru. Alguns moradores dizem não terem sido vistos pelo prefeito Beto D’Ângelo durante a cheia deste ano, que ainda está causando efeitos desastrosos a milhares de famílias não só em Manacapuru, mas em todo o Amazonas.
“Saí da minha casa e tive que alugar um quarto para ficar com meus filhos. Minha casa foi invadida pela água e eu pedi quase tudo”, diz uma mãe de família que possui quatro filhos.
Os moradores também contam que, além de bens materiais, também perderam plantações e cultivos que iriam garantir o sustento de suas famílias.
Sem resposta
O documento afirma que o aluguel de veículos deve atender a administração de Manacapuru, por esse motivo a reportagem do Portal O Poder tentou entrar em contrato com a Secretaria de Administração para questionar a necessidade desses alugueis, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
Confira os documentos de contrato:
Yasmim Araújo, para O Poder
Foto: Reprodução
Edição e Revisão: Alyne Araújo e Henderson Martins

