HomeCotidianoConflito provoca duas mortes na Terra Indígena Yanomami, em Roraima

Conflito provoca duas mortes na Terra Indígena Yanomami, em Roraima

Publicado em

Artigo Relacionado

Festival de Férias leva a garotada a um passeio histórico pelo Centro Cultural dos Povos da Amazônia

Diversão e aventura marcaram a abertura do Festival de Férias 2024, que ocorreu na...

Dois indígenas morreram e outros cinco ficaram feridos em um conflito entre duas comunidades na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, na tarde desta segunda-feira (11), segundo relato do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye´kuana, Júnior Hekurari Yanomami.

“Junto com os garimpeiros, a comunidade Tirei atacou a comunidade Pixanehabi, onde morreram dois yanomamis”, disse Hekurar em vídeo divulgado pelo G1. Segundo ele, os moradores da comunidade atacada são contra o garimpo. “Por isso os garimpeiros deram 80 armas para a comunidade Tirei, incentivando o conflito”.

Também nesta segunda, o MPF (Ministério Público Federal) divulgou um pedido à Justiça Federal para obrigar a União a retomar ações de proteção e operações policiais contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

O pedido é baseado em denúncias de crimes contra indígenas e ameaças à saúde e à existência das comunidades. Em visita realizada à Serra das Surucucus, em Roraima, o Ministério Público Federal constatou que a região foi toda ocupada por garimpeiros ilegais, que usam as pistas de pouso da Secretaria de Saúde Indígena como apoio logístico para dezenas de aeronaves e helicópteros.

“Isoladas do contato com a sociedade, as comunidades indígenas estão cada vez mais próximas do garimpo e não podem usufruir de seu habitat tradicional, já completamente degradado pelo desmatamento e poluição dos rios”, diz o MPF.

Segundo os promotores, operações realizados no ano passado pelo governo federal não foram suficientes para conter o avanço do garimpo ilegal e é preciso realizar ações urgentes de repressão contra crimes socioambientais que ocorrem na região.

Para o MPF, o que ocorre na Terra Indígena Yanomami é uma tragédia humanitária e há o risco de a população tradicional da região ser dizimada por causa da grande quantidade de garimpeiros que ocupam ilegalmente o território e da forma de estruturação da atividade.

YANOMAMI SOB ATAQUE

O relatório “Yanomami Sob Ataque: Garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomai e propostas para combatê-lo”, divulgado nesta segunda pela Hutukara Associação Yanomami, denuncia ataques criminosos contra comunidades indígenas.

De acordo com o documento, em 2021 o garimpo ilegal avançou 46% em comparação com 2020. Entre 2016 e 2020, o garimpo cresceu 3.350% na Terra Indígena Yanomami.

O relatório revela que existem hoje 273 comunidades e 16 mil pessoas afetadas diretamente pelo garimpo ilegal. Isso significa que 56% da população da terra indígena sofre as consequências dessa prática irregular. Vinte e nove mil pessoas moram em cerca de 350 comunidades na região.

Entre as consequências da extração ilegal de ouro e cassiterita está a explosão de casos de doenças como malária, além de casos de violência como o ocorrido nesta segunda.

O documento destaca também o desmatamento da floresta, a poluição dos rios e a formação de crateras.

“O governo precisa avaliar suas ações, pois muitas operações de combate ao garimpo não surtiram efeito”, disse Dario Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami. “O meu povo está sofrendo. Pedimos o apoio da população para se unir ao nosso grito de socorro para a retirada imediata dos garimpeiros do nosso território”.

 

Fonte: FOLHAPRESS

Foto: Divulgação

Redação por Bernardo Andrade

Últimos Artigos

Comissão vai a Belém conferir preparativos para COP30

A Subcomissão Temporária que acompanha os preparativos para realização da COP30 se reuniu pela...

Cepcolu completa quatro meses com quase 2 mil atendimentos e sem fila para cirurgias

O Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu),...

Com apoio do Governo do Amazonas, pesquisa inclui robótica no processo de ensino-aprendizagem de estudantes da educação básica

Ensinar robótica com o uso de metodologia Problem-based Learning (PBL), que estimula os alunos...

Primeira patente do ILMD/FiocruzAmazônia é concedida pelo INPI, referente a equipamento de análise de material genético em amostras biológicas

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Núcleo de Inovação...

Eric Lima

Criador do Portal Pontual

Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na área de concentração de Epidemiologia de Agravos e Prevalentes na Amazônia pelo instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/FIOCRUZ), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Pará (UFPA - 2013). Tem experiência em pesquisa na área de Epidemiologia, Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, Avaliação de Serviço em Saúde e Saúde Baseada em Evidências, desenvolvendo estudos nos temas: Tuberculose, Resistência aos fármacos, Tuberculose Multirresistente, Coinfecção TB/HIV.

Mais artigos como este

Comissão vai a Belém conferir preparativos para COP30

A Subcomissão Temporária que acompanha os preparativos para realização da COP30 se reuniu pela...

Cepcolu completa quatro meses com quase 2 mil atendimentos e sem fila para cirurgias

O Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu),...

Com apoio do Governo do Amazonas, pesquisa inclui robótica no processo de ensino-aprendizagem de estudantes da educação básica

Ensinar robótica com o uso de metodologia Problem-based Learning (PBL), que estimula os alunos...