sexta-feira, janeiro 16, 2026
HomeCotidianoSaiba o que é o haboob, tempestade de poeira que 'engoliu' cidades...

Saiba o que é o haboob, tempestade de poeira que ‘engoliu’ cidades no interior de SP

Publicado em

Artigo Relacionado

Festival de Férias leva a garotada a um passeio histórico pelo Centro Cultural dos Povos da Amazônia

Diversão e aventura marcaram a abertura do Festival de Férias 2024, que ocorreu na...

A tempestade de poeira que engoliu cidades no interior de São Paulo é um fenômeno conhecido dos meteorologistas e responde pelo nome haboob, ou habub. Não é um evento tão raro quanto se possa imaginar, mas não chega a ser comum. De acordo com Estael Sias, meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia, o fenômeno costuma ocorrer em áreas secas e com baixa umidade.

Em texto publicado no site da MetSul, Sias afirma que o haboob se forma a partir de uma tempestade comum de chuva e vento. Ele ocorre quando o ar frio desce em direção ao solo, gerando rajadas de vento em altas velocidades que empurram o ar para baixo e radialmente. Com isso, arrastam a poeira do chão.

Heráclio Alves, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), diz que a região de Ribeirão Preto estava muito seca, com temperatura alta e baixa umidade. Esses fatores, somados aos ventos que chegaram a mais de 90 km/h no aeroporto da cidade, resultaram no haboob.

A palavra, segundo a Enciclopédia Britannica, deriva do árabe “habb”, que significa vento. Esse tipo de evento é comum no Saara e no Sudão. “Não é um fenômeno raro. Acontece principalmente em momentos pré-tempestade”, diz Alves. Após moradores da região terem ido às redes sociais para falar da parede de poeira, os municípios sofreram com a chuva forte.

Nos Estados Unidos também é possível observar esse tipo de evento com alguma frequência, de acordo com a Noaa (National Oceanic and Atmospheric Administration, agência dos EUA). A Convenção da ONU (Organização das Nações Unidas) de combate à desertificação aponta que, apesar de o fenômeno ocorrer normalmente em áreas secas, as condições para as tempestades de poeira podem se instalar em praticamente qualquer local, e os fatores podem ser influenciados por ações humanas, além de pelas mudanças climáticas, desertificação e degradação.

Segundo a convenção, essas tempestades produzem significativos impactos socioeconômicos, como na agricultura, no transporte e na qualidade de ar e água -Franca passa por racionamento de água, assim como outras cidades do interior de SP. A saúde humana também pode ser afetada, com a poeira impactando pulmões e com potencial de piorar doenças respiratórias.

Ana Luisa Flausino, 32, moradora de Franca, descreveu o momento: “Estava até sol, mas ficou escuro e pensei que era chuva. Quando olhei, a poeira já tinha tomado a região toda do meu bairro. Foi uma sensação horrível de sufocamento, porque parecia que estava entrando poeira dentro de casa, estava com cheiro forte, muito forte mesmo”.

Também moradora da cidade, Nise Peres, 43, diz: “Eu olhei para o bairro da Estação e vi nuvens em tons de rosa amarronzado vindo em nossa direção. De repente, as folhas que estavam no chão começaram a voar e as árvores balançando muito forte. Aí eu senti gosto de poeira. Corri para fechar a casa e colocar as crianças para dentro. A casa toda está suja e justamente neste momento com falta de água”.

Documento da convenção da ONU também afirma que tais tempestades criam cenários para desastres principalmente no nordeste da Ásia e na América do Norte, ao mesmo tempo em que acabam um pouco negligenciadas em outras regiões. Isso ocorreria pela ausência de mortes diretas ou machucados pelo fenômeno. Há também pouca documentação dos efeitos econômicos e na saúde.

Segundo Heráclio Alves, do Inmet, apesar de não ter muito como se proteger do fenômeno -além claro, de procurar locais fechados-, a boa notícia é que esse tipo de tempestade costuma ter pequena duração.

O serviço nacional de meteorologia dos EUA também alerta motoristas para que tomem cuidado ao se depararem com essas tempestades, que prejudicam consideravelmente a visibilidade. A dica é tirar o carro da via o máximo possível e desligar as luzes do automóvel. Há indicação também de não entrar na tempestade, se for possível.

Por Phillippe Watanabe/FOLHAPRESS

Redação por Bernardo Andrade

Últimos Artigos

Comissão vai a Belém conferir preparativos para COP30

A Subcomissão Temporária que acompanha os preparativos para realização da COP30 se reuniu pela...

Cepcolu completa quatro meses com quase 2 mil atendimentos e sem fila para cirurgias

O Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu),...

Com apoio do Governo do Amazonas, pesquisa inclui robótica no processo de ensino-aprendizagem de estudantes da educação básica

Ensinar robótica com o uso de metodologia Problem-based Learning (PBL), que estimula os alunos...

Primeira patente do ILMD/FiocruzAmazônia é concedida pelo INPI, referente a equipamento de análise de material genético em amostras biológicas

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Núcleo de Inovação...

Eric Lima

Criador do Portal Pontual

Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na área de concentração de Epidemiologia de Agravos e Prevalentes na Amazônia pelo instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/FIOCRUZ), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Pará (UFPA - 2013). Tem experiência em pesquisa na área de Epidemiologia, Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, Avaliação de Serviço em Saúde e Saúde Baseada em Evidências, desenvolvendo estudos nos temas: Tuberculose, Resistência aos fármacos, Tuberculose Multirresistente, Coinfecção TB/HIV.

Mais artigos como este

Comissão vai a Belém conferir preparativos para COP30

A Subcomissão Temporária que acompanha os preparativos para realização da COP30 se reuniu pela...

Cepcolu completa quatro meses com quase 2 mil atendimentos e sem fila para cirurgias

O Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero do Amazonas (Cepcolu),...

Com apoio do Governo do Amazonas, pesquisa inclui robótica no processo de ensino-aprendizagem de estudantes da educação básica

Ensinar robótica com o uso de metodologia Problem-based Learning (PBL), que estimula os alunos...