Manaus | Quinta-feira
A mulher de 28 anos, declara “Nasci de novo, graças a Deus e a Polícia”, que no dia do seu aniversário, na noite desta quarta-feira (10), foi torturada por mais de 10 homens, na tentativa de defender um amigo.
Além do braço esquerdo fraturado, ela também teve os cabelos cortado por uma faca e arrastada pra uma área de mata nas proximidades do Conjunto Viver Melhor, Bairro Lago Azul, Zona Norte de Manaus. Caio Cesar Colares Pinto, de 21 anos, foi preso por suspeita de participar da tentativa de homicídio.
“Eu fui proteger o filho de uma amiga. Ele tava sendo acusado de ter roubado um apartamento. Os homens foram chamar ele na minha casa e eu fui com ele. Fomos levados para uma mata que fica atrás da quadra nove do conjunto. Lá os homens amarraram meu amigo e bateram muito nele. Os vizinhos chamaram a polícia e quando o grupo percebeu a viatura correu e eu desamarrei o filho da minha amiga, que conseguiu fugir. Infelizmente a polícia não achou a gente e os homens me pegaram”, explicou a mulher.
A vítima também disse em entrevista, que eles ligaram pra um presidiário e pediram permissão para matá-la. “Eles ligaram para um homem que está na cadeia e ele deu a ordem para os homens me matarem no lugar do meu amigo”, disse mulher.
“Enquanto eu era torturada, os homens se dividiram e foram na minha casa, levaram minha televisão, ar-condicionado, roupas e um carro que meu marido alugou para passearmos no meu aniversário. Por pouco também não mataram minhas filhas”, lamentou a vítima.
A vítima relatou que só foi salva devido os vizinhos terem chamado a polícia. “Chegaram muitas viaturas e os homens se desesperam, me arrastaram até um barranco e fugiram”, contou.
Policiais militares da 26ª Cicom fizeram buscas na área e localizaram um dos envolvidos que estava em uma lanchonete. A vítima foi levada para o Hospital Delphina Aziz, onde recebeu os primeiros socorros. Na manhã de hoje ela realizou exames de corpo de delito no IML.
A mulher, que é cuidadora de idosos, ainda teme pela própria vida e também de seus familiares. Ela informou que pretende se mudar do local. “Não vou voltar mais para lá, estou com medo que façam alguma coisa com meu esposo e minhas filhas, de 6 e 8 anos. Só queria saber para onde levaram minhas coisas”, disse.
“Meu medo maior é que esse que foi preso seja liberado em audiência de custódio e saia a minha procura em busca de vingança”, concluiu a vítima.
O caso foi registrado no 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

