Manaus | 28 de Novembro de 2018 (Quarta-feira)
Nesta quarta-feira (28), A Comissão de Usuários e Profissionais da Saúde Mental do Amazonas, alerta que necessita da ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Estado, pois segundo eles, estão sucateados e não atendem a demanda, resultando em péssimas prestações de serviço.
“Nós não temos leitos em hospitais gerais para atender as pessoas quando estão em crise. Nós só temos a emergência do Hospital Eduardo Ribeiro, que conta apenas com 20 leitos. Então, tem dias que lá está superlotado. E a gente também nota o grande índice de suicídio que vem acontecendo. A gente não tem serviço para atender a população. E os CAPS aqui em Manaus não funcionam, estão sucateados, com uma demanda muito grande, que acaba não tendo prestação de serviço de qualidade”, afirmou o representante da comissão, José Setemberg Rabelo.
De acordo com Setemberg, o Ministério da Saúde planeja reativar os leitos nos hospitais psiquiátricos, e para ele, isso representa apenas uma política simples de isolamento e medicação, sendo considerado um retrocesso.
“Nós sabemos que a política dentro desses hospitais é a de isolamento e de medicalização, enquanto os CAPS trabalham para reinserir o paciente na comunidade. No CAPS, nós temos o exercício da cidadania, temos a perspectiva de, caso desejemos, voltar a estudar. Podemos ser reinseridos no mercado de trabalho. E nós consideramos um retrocesso essa nova política do Ministério da Saúde e a gente considera isso uma forma de lucrar com a loucura”, declarou.
Através de uma reunião feita com o deputado Serafim Corrêa (PSB), que quando prefeito construiu o primeiro CAPS na capital, Setemberg afirmou que o objetivo do grupo é fortalecer as políticas na área de saúde mental a partir do novo governo, tendo o parlamentar como interlocutor.
“A população do nosso estado que precisa de atenção na área de saúde mental tem direito a um atendimento que respeite a dignidade do cidadão. E se faz necessária uma reavaliação de investimentos nessa área. De minha parte, as demandas da comissão terão espaço nos debates”, garantiu Serafim.
Setemberg ainda diz que os hospitais psiquiátricos recebem por internação, e que em alguns casos, o paciente precisa de uma internação breve, “O Ministério da Saúde está querendo fazer da saúde mental uma mercadoria. Eles podem colocar uma internação de dois três meses sem necessidade, então, essa é a nossa preocupação”, explicou.
Em Manaus, existem apenas quatro CAPS, (sendo três da Prefeitura Municipal de Manaus e um do governo estadual) e Setemberg afirma que esse número é mínimo, além disso, ele ressalta na importância da estrutura que pode fornecer no Estado, “Aqui, era para termos ao menos uns 40 CAPS, e nós só temos quatro. A gente precisa de centros para atender, individualmente, as demandas infanto-juvenil, adulta e idosa e o atendimento em crise, que poderiam ser nos prontos-socorros. E também o atendimento em hospital geral. Há pessoas que precisam de um tempo para sair da crise, há pessoas que têm problema com transtornos mentais em razão do uso abusivo de álcool e drogas. E nós não temos essa estrutura no estado do Amazonas”, finalizou.
Fonte: Com informações da Assessoria.
Redação por Portal Pontual.

