Manaus| 03 de Dezembro de 2018 (Segunda-feira)
Os integrantes da bancada evangélica, aliados do então presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), estão em crise. Apesar de demonstrar força na escolha do responsável para Ministro da Educação, barrando o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Ramos, a frente evangélica não tem recebido tantas demonstrações de prestígio quanto gostaria, o que levou a um rompimento.
A decepção foi grande nas últimas semanas. Primeiro, Onyx havia pedido sugestões da bancada para o Ministério da Educação. Ele deu uma semana para que os nomes fossem apresentados e 2 dias depois a mídia já estampava que o diretor do Instituto Ayrton Senna aceitara o convite. Os deputados dizem que não têm nada contra Mozart, mas não o consideram alinhado a bandeiras como a Escola sem Partido e o combate à ideologia de gênero. Conseguiram barrá-lo, na única vitória até agora. O nome escolhido por Bolsonaro, Ricardo Vélez-Rodrigues, contudo, não era o indicado pela bancada.
A insatisfação com a demora de Bolsonaro para decidir o destino de ministérios da área social e com o futuro incerto dos integrantes fiéis ao presidente eleito, levaram a bancada a fazer uma votação para deliberar se compareceriam ou não à reunião prevista com o capitão reformado do Exército na última quarta-feira (28). Por fim, resolveram fazer a visita de cortesia.

Integrantes do seleto grupo que foi à reunião , cerca de 20 dos quase 90 deputados que compõem a bancada na Câmara, conversaram tanto com Bolsonaro quanto com o ministro da transição e futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre nomes que representariam o grupo.
O choque se dá entre os que ainda querem pressionar o futuro chefe do Executivo por espaço no governo e os que já desistiram ou dizem defender que a bancada seja independente.
A expectativa era de que o presidente eleito “pagasse a dívida” de campanha e ainda indicasse líderes do grupo para o primeiro escalão.
A rebelião dos evangélicos, no entanto, só ficou clara com a indicação do deputado do MDB Osmar Terra para a chefia do Ministério da Cidadania. Neste caso, foi o presidente eleito pessoalmente quem pediu aos colegas a indicação de 3 nomes. “Apresentamos, e ele nomeou outro”, disse um dos aliados.
Hoje, nem a possível criação do ministério dos Direitos Humanos e das Mulheres sob o comando da pastora evangélica e assessora do senador Magno Malta (PR-ES) Damares Alves agrada ao grupo.
Afinal, assim como Vélez-Rodrigues e Terra, ela seria mais um nome que agrada a bancada, mas não foi indicada pelo grupo. Entre os nomes de preferência foram citados na reunião os deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP), Ronaldo Nogueira (PTB-RS), ex-ministro do Trabalho que não foi reeleito , Marco Feliciano (PSC-SP), e o emedebista Leonardo Quintão (MG).
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Redação Portal Pontual.

