Manaus| 04 de Fevereiro de 2019 (Segunda-Feira)
Ativista social, que ajudou a organizar as denúncias de abuso sexual que desmascararam o médium João de Deus, Sabrina de Campos Bittencourt, paulista de 37 anos cometeu suicídio no último sábado (2). Algumas horas antes de sua morte, Sabrina publicou um post em sua rede social do Facebook .
“Usem a sua própria voz. A sua própria vontade. Tomem as rédeas de suas próprias vidas e abram a boca, não tenham vergonha! Eles é que precisam ter vergonha. Não aguento mais”.
Sabrina atuava em varias causas sociais, se tornando um nome importante na luta contra os abusos cometidos por lideres religiosos, ela foi uma das criadoras do movimento Coame (Combate ao Abuso no Meio Espiritual). Em entrevista à Carta Capital no final do ano passado, a ativista afirmou que estava reunindo material, ainda sob sigilo, contra 13 gurus espirituais brasileiros. Junto com Felipe Neto, ela também cuidaria da reestruturação da imagem de Melody, após denúncias de sexualização infantil.
Sabrina foi abusada desde os 4 anos, por membros da igreja que seus pais e avós frequentavam. Ficou grávida de um dos estupradores aos 16 e acabou abortando. Sua história a impulsionou a lutar por outras “Sabrinas”, em diferentes contextos, que existem pelo mundo.
Ainda no texto, que depois foi apagado de seu Facebook, a ativista diz que fez o que pode e que estaria se juntando à vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Ela ainda citou líderes de diversas religiões e escreveu:
“Sei no meu íntimo que todo menino nasceu puro e foi abusado, corrompido, machucado, moldado, castrado, calado, forçado a fazer coisas que não queria, até se converter talvez, cada um à sua maneira, em tiranos manipuladores (em maior ou menor grau) que ao não controlar os próprios impulsos, tentam controlar a quem consideram mais frágil e assim praticam estupros, pedofilia, adicções diversas… Eu sei, eu sinto, eu vi. Mas ainda assim, preferi sempre ficar do lado mais frágil nesta breve existência: mulheres, crianças, idosos, jovens, povos originários, afrodescendentes, refugiados, ciganos, imigrantes, migrantes, pessoas com deficiência, gays, pobres, lascados, f**, rebeldes e incompreendidos…”.
Gabriel Baum, filho de Sabrina, fez um texto emocionante e pediu para que as pessoas não permitam que a imagem dela seja manchada. O rapaz ainda afirmou que a mãe disse que seria “a próxima” depois de Marielle e que deixou um material organizado “com provas”. “Minha mãe lutou até o final, ela não desistiu. Ela só se libertou do inferno que estava vivendo”, escreveu.
Foto: Divulgação
Redação Portal Pontual

