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Racismo | George Stinney, 14 anos, a pessoa mais jovem a ser executada na cadeira elétrica, após 70 anos tem a sua inocência provada

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Manaus | 06 de Março de 2019 (Quarta-feira)


George Stinney Jr, de ascendência africana, de 14 anos, foi a pessoa mais jovem a ser executada no século XX nos Estados Unidos. Possuindo apenas 14 anos quando foi executado em uma cadeira elétrica. Sendo acusado injustamente de matar duas meninas, Betty de 11 anos e Mary de 7 anos, brancas.

Os corpos foram encontrados próximo da casa onde George morava com a sua família,  pai, George Stinney Sr., sua mãe Aime, os irmãos John, de 17 anos, e Charles, de 12 anos, e as irmãs Katherine, de 10 anos, e Aime, de 7 anos. George morreu em 1944, na Carolina do Sul, no entanto a sua inocência foi declarada em 2014, 70 anos depois.

O rapaz morava em uma pequena cidade no condado de Clarendon, na época, o racismo era muito mais perverso, nascer negro já era considerado uma condenação. A comunidade negra vivia separada dos brancos. Isso era considerado “normal” em várias outras cidades do sul dos EUA, como escolas, igrejas e outros locais públicos eram separadas racialmente.

Sua família morava em uma casa fornecida pelo patrão de seu pai que trabalhava em uma serraria. As meninas andavam de bicicleta em busca de flores, quando passaram em frente à casa de George, elas perguntaram ao rapaz e sua irmã, Kaherine, onde encontrar “flores-da-paixão”.

As irmãs não teriam voltado para sua residência naquele dia, 23 de março de 1944, voluntários se uniram à procura das garotas e logo na manhã seguinte, os corpos delas foram encontrados em uma vala com água lamacenta.

Logo após, George foi interrogado por vários oficiais em uma sala sem alguma testemunha, e em seguida “confessou o crime”, com uma história sem pé nem cabeça. Pois foi constatado que a barra de ferro usada para golpear e matar as irmãs, pesava mais de 9,7 kg, sendo impossível para um rapaz de 40 quilos erguer e golpear as duas meninas ao mesmo tempo.

O julgamento do menino de apenas 14 anos, foi caraterizada por racismo puro e impetuoso, além do estado fornecer um advogado completamente apático, que sequer defendeu o garoto, o mesmo não discutiu, não apresentou testemunhas, declarando apenas que George era “jovem demais para acabar na cadeira elétrica”.

Mesmo George possuindo direitos estabelecidos na VI emenda da Constituição dos Estados Unidos da América, estes foram totalmente esquecidos e ignorados. Com apenas três horas de julgamento e o júri composto por brancos tomou a decisão em 10 minutos, declarou a sentença de George.

Dois meses depois, o menino é executado na cadeira elétrica, em 16 de junho de 1944, no complexo correcional de Colúmbia (Carolina do Sul). Testemunhas afirmaram que o garoto era tão pequeno que foi colocado no assento uma bíblia para arrumar a altura e assim, anexar os eletrodos.

Confira a cena da cadeira elétrica retratada no filme Carolina Skeletons (1991).

George recebeu uma corrente elétrica na cabeça de 5.380 volts. A máscara que cobria o seu rosto durante a execução, chegou a cair, a plateia composta de pessoas brancas olhavam fixamente uma criança de 14 anos, chorando e salivando enquanto sentia dor. Foi necessário três descargas elétricas para George morrer.

Após 70 anos, o advogado Steve McKenzie, reabriu o caso e alegou não ter existido justiça neste caso, “Além do fato óbvio de que não houve um julgamento justo neste caso, não há provas, não há confissões escritas, mas apenas aquelas feitas na frente de policiais brancos. Não há testemunhas, não há transcrições do julgamento muito breve, nada que indique que o menino era culpado”.

E foi assim que o juiz Mullen finalmente ouviu o testemunho de seu irmão e das irmãs de Stinney, uma pessoa envolvida nas buscas das meninas e especialistas que re-analisaram ​​os resultados da autópsia e os depoimentos do menino. E então, finalmente, chegou-se à anulação da sentença.

Foto: Reuters/South Carolina Department of Archives and History/Handout).

Fonte: Jornal GGN/ Green Me.

Redação por Ana Flávia Oliveira.

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Eric Lima

Criador do Portal Pontual

Mestrado em Saúde, Sociedade e Endemias na área de concentração de Epidemiologia de Agravos e Prevalentes na Amazônia pelo instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/FIOCRUZ), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Pará (UFPA - 2013). Tem experiência em pesquisa na área de Epidemiologia, Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, Avaliação de Serviço em Saúde e Saúde Baseada em Evidências, desenvolvendo estudos nos temas: Tuberculose, Resistência aos fármacos, Tuberculose Multirresistente, Coinfecção TB/HIV.

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