Manaus | 18 de Março de 2019 (Segunda-feira)
Na última sexta-feira (15), o Conselho de Sentença do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, condenou, o pai do menino Bernado, o médico Leandro Boldrini, a madrasta, enfermeira Graciele Ugulini, além de sua amiga, Edelvânia Wirganovicz e o irmão, Evandro, pela morte do menino de 11 anos em 2014.
O julgamento foi considerado bem longo, totalizando cinco dias de trabalho, em mais de 5º horas dentro do único fórum de Três Passos, localizado no Rio Grande do Sul. Foram apresentados vídeos, áudios e depoimentos de quinze testemunhas de defesa e de acusação, os sete jurados deram seus entendimentos sobre os réus.
Além disso, o julgamento foi transmitido em tempo real pelo Tribunal de Justiça, sendo marcante para quem presenciou, tendo como única interrupção pela juíza Sucilene Engler, no momento em que o Ministério Público mostrou imagens do corpo sendo retirado da cova vertical e também no Instituto Médico Legal.
A linha de investigação mostrou em detalhes na vida de terror no qual Bernardo foi submetido.
Bernardo Boltrini vivia em um ambiente de “desamor”, conforme atestou sua ex-psicóloga Ariane Schmitt. O menino não podia ver TV, nadar na piscina, comer à mesa com a madrasta e nem se aproximar na meia-irmã, Maria Valentina. Alguns depoimentos chegaram a relatar que ele passava fome. Morava em uma casa de quatro quartos e tinha um pai que ganhava 30.000 reais por mês, mas fazia refeição na casa de amigos e vizinhos. O garoto perambulava pela cidade em busca de um teto, de um alento, de um bife.
A defesa de cada réu foi caracterizado principalmente pela madrasta de Bernardo, Graciele, tentou justificar que o seu relacionamento com o menino era conturbado devido um aborto espontâneo, no entanto, a mesma se contradiz ao informar que “ele era rebelde”. Suas lágrimas não convenceram.
Graciele ainda informou que o menino tomou sozinho o sedativo midazolan, que estava em sua bolsa, durante uma viagem de carro até a cidade de Frederico Westphalen. Ao notar que o garoto estava com a boca espumando e sem batimento cardíaco, a sua única alternativa foi enterrá-lo em cova vertical, com o auxílio de sua amiga, Edelvânia. Segundo ela, no momento teve medo de acharem que ela o matou de propósito.
Mas isso foi desmentido por todos já que vídeos comprovam o ódio que a madrasta sentia pelo seu enteado, “vamos ver quem vai ser enterrado primeiro” e “prefiro apodrecer em uma cadeia a viver com você”.
A sentença foi proferida pela juíza Sucilene Engler, Leandro Boldrini foi condenado a 33 anos e 8 meses de reclusão e a madrasta, Graciele, a 34 anos e 7 meses de prisão. A pena de Edelvânia Wirganovicz foi fixada em 23 anos em regime inicialmente fechado, e a de seu irmão, Evandro, em 9 anos e 6 meses, em regime semi-aberto, já que está preso há 4 anos e 11 meses, o mesmo irá para o semi-aberto por já ter cumprido um sexto da pena, como prevê a Lei de Execução Penal.
Os quatro foram julgados pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri por crimes variados: homicídio quadruplamente qualificado (Leandro e Graciele), triplamente qualificado (Edelvânia) e duplamente qualificado (Evandro), além de ocultação de cadáver. Leandro Boldrini também respondia pelo crime de falsidade ideológica.
Foto: Reprodução.
Fonte: Transmissão Tribunal de Justiça. Confira a live completa aqui.
Redação por Ana Flávia Oliveira.

