Manaus | 21 de Março de 2019 (Quinta-feira)
Os dados foram divulgados pela organização social, sem fins lucrativos, Todos pela Educação (TPE), onde constatou que no país, enquanto 83% dos estudantes com renda alta saem da escola pública tendo aprendido o adequado em língua portuguesa ao final do ensino médio, entre os estudantes que possuem renda baixa, essa porcentagem é 17%.
“A educação, que poderia ser uma das principais ferramentas para diminuir a desigualdade de aprendizagem não tem conseguido fazer isso de maneira consistente no Brasil”, diz o diretor de Políticas Educacionais do TPE, Olavo Nogueira Filho.
No caso da disciplina de matemática, 63,6% dos alunos mais ricos aprenderam o adequado e apenas 3,1% dos mais pobres saem da escola sabendo o mínimo considerado suficiente na disciplina.
Além disso, a organização analisou os microdados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017, mostrou que existe uma diferença extensa e constante, desde o ano de 2011, entre o desempenho dos mais ricos e dos mais pobres em todos os níveis analisados, no 5º e no 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio.
A disparidade entre as porcentagens de estudantes que aprendem o adequado chega a ser quase cinco vezes maior entre aqueles com maior nível socioeconômico e os com menor nível.
“A educação, que poderia ser uma das principais ferramentas para diminuir a desigualdade de aprendizagem não tem conseguido fazer isso de maneira consistente no Brasil”, diz o diretor de Políticas Educacionais do TPE, Olavo Nogueira Filho.
“A gente está avançando na média brasileira, mas está mantendo um alto grau de desigualdade entre alunos de nível socioeconômico mais alto e mais baixo. Estamos melhorando sem conseguir diminuir esse resultado entre mais ricos e mais pobres”, explica Nogueira.
Como é avaliado o rendimento dos alunos conforme a renda familiar
Sob responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Saeb avalia estudantes quanto aos conhecimentos de língua portuguesa e matemática e é aplicado de dois em dois anos. Os estudantes são classificados em seis grupos, considerando o nível socioeconômico.
O grupo 1 reúne os estudantes com o menor poder aquisitivo. São, em maior parte, estudantes com renda familiar mensal de até um salário mínimo e que têm, em casa, bens elementares, como uma geladeira e uma televisão, sem máquina de lavar roupa ou computador. Os pais ou responsáveis têm formação até o 5º ano do ensino fundamental ou inferior.
O grupo 6 conta com estudantes com renda familiar mensal de sete salários mínimos ou mais, cujos pais ou responsáveis completaram a faculdade e que tem em casa três ou mais televisores, dois ou mais computadores, entre outros bens.
A diferença é constatada desde o 5º ano do ensino fundamental, quando 90,4% dos mais ricos aprendem o adequado em língua portuguesa e 83,9%, em matemática e apenas 26,3% dos mais pobres aprendem o adequado em português e 18,1%, em matemática.
Ainda segundo Nogueira, a escola pública não está cumprindo seu papel de reduzir as desigualdades, “Para fazer isso, é preciso ter uma política educacional que se preocupe com essa questão. Uma política educacional que se traduza em mais recursos para quem tem maior desafio”, afirma.
“Os municípios mais vulneráveis, em geral, são os que têm menor investimento por aluno quando comparados com regiões de nível socioeconômico mais elevado”, explicou Nogueira sobre a abordagem errada que estão fazendo nessas regiões.
Foto: Getty Images.
Fonte: Agência Brasil.
Redação por Ana Flávia Oliveira.

