Manaus | 05 de Abril de 2019 (Sexta-feira)
O casal de idosos, Ángel Hernández e María José Carrasco já planejavam a eutanásia assim que María estivesse decidida, ele a ajudaria tirar a própria vida. A mulher sofria de esclerose múltipla havia 30 anos, afirmou durante uma entrevista ao EL PAÍS, em outubro do ano anterior, mesmo com dificuldades na fala, que tinha receio com o que poderia acontecer ao seu marido.
“Ele não tem medo, mas eu sim”, disse María, aos 61 anos, ao relatar sobre o futuro de Ángel após tomar sua decisão sobre a eutanásia. Passaram-se meses, até que, na última quarta-feira (03), Ángel preparou o medicamento, María tomou e faleceu, mas seu esposo foi preso.
A prisão de Hernández ocorreu na quarta-feira, quando os agentes foram avisados por equipes de emergência médica que o idoso teria administrado uma substância destinada a provocar a morte da sua mulher. Os agentes se apresentaram na residência do casal, localizado em Moncloa Aravaca, um bairro de classe média-alta de Madri.
O idoso será colocado à disposição da justiça nesta sexta-feira (05).
Ángel sabia dos riscos que poderia correr após tomar a decisão de sua esposa, ele relatou que há 20 anos, quando trabalhava como técnico audiovisual na Assembleia Legislativa da Comunidade de Madri, ela já estava em casa doente, foi quando ele chegou e se deparou com a esposa, agonizando após uma tentativa de suicídio.
Eles chegaram a informar ao EL PAÍS, que estavam esperançosos na lei de regulação da eutanásia, impulsionada pelo Partido Socialista Operário Espanhol (no Governo). Porém, devido a precariedade do Governo de Pedro Sánchez, o projeto de lei ainda continua parado no Congresso.
Ao saber sobre o caso, a ONG Direito de Morrer Dignamente, exigiu na última quinta-feira (04), que os “futuros deputados e deputadas [a serem eleitos no pleito espanhol de 28 de abril] regulem e despenalizem a eutanásia urgentemente”.
“O ato de Ángel Hernández de ajudar na morte da sua mulher, a quem cuidou durante décadas, só pode ser entendido como um ato de amor que não deveria receber nenhuma recriminação penal”, disse a entidade em nota.
“Mais de 80% da população é favorável a despenalizar a eutanásia e o suicídio assistido. Entretanto, o artigo 143 do Código Penal continua punindo-as com penas da prisão”, salienta a associação, que qualifica como “inaceitável” que “numa sociedade democrática, apoiada no respeito à liberdade individual e a pluralidade”, seja crime “ajudar uma pessoa a dispor de sua vida livremente”.
“Defender o direito à vida não justifica obrigar uma pessoa a viver uma vida deteriorada, com um sofrimento inadmissível e que já não deseja”, conclui a ONG.
Foto: Carlos Rosillo.
Fonte: Com informações do EL PAÍS.
Redação por Portal Pontual.

