Manaus | 11 de abril,2020 | Sábado
O cardiologista Roberto Kalil Filho, 60, do Hospital Sírio-Libanês, elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento em rede nacional por ter declarado que usou cloroquina no tratamento da Covid-19, diz que continua defendendo a utilização da droga apenas para pacientes internados, como determina o protocolo do Ministério da Saúde.
“Não sou garoto-propaganda de nada, sou garoto-propaganda do que salva vivas”, disse ele, reforçando que o seu tratamento envolveu vários medicamentos, entre eles antibiótico, corticoide e anticoagulante, além da boa estrutura hospitalar do Sírio-Libanês.
Em casa e ainda tossindo bastante, Kalil relatou à reportagem o sofrimento pelo qual passou durante os dez dias em que esteve internado para tratar a doença. “Era uma dor no corpo que parecia estar arrancando todos os músculos, horrível. Teve um dia que eu pensei em ligar para o David [Uip, infectologista] e falar: desisto, tira os remédios, eu não quero mais nada.”
Falou também sobre o sentimento de vulnerabilidade. “Você se sente um coelhinho da Páscoa sem rabo e sem dentes. Não tem macho, não.”
“É verdade que não temos grandes estudos científicos mostrando benefícios, mas é uma doença que mata. Se, daqui a seis meses, sair um estudo mostrando que a cloroquina não funciona, parabéns, fizemos o que tinha que fazer. Se, daqui a seis meses, sair um estudo mostrando que a cloroquina é eficaz, e os doentes a quem deixamos de dar? E se morreram? É mais um remédio, um conjunto de remédios que deve ser usado.”

