O ex-guarda do campo de Stutthof, em Harry S., 96 anos, foi acusado de ser cúmplice no assassinato de centenas de pessoas, mas foi considerado velho demais para ser julgado.
Um Tribunal na Alemanha considerou que o Harry S., não está em condições de saúde para ser julgado — mas mesmo assim deve pagar os honorários do processo até aqui.
O Tribunal de Wuppertal destacou que há um “alto grau de probabilidade” de que ele seja culpado dos crimes.
Na quarta-feira (10/3), o tribunal de Wuppertal disse em comunicado que, “devido à sua condição física”, Harry S. “não era mais capaz de representar razoavelmente seus interesses dentro e fora do julgamento”, iniciado em 2017.
Porém, a representação da corte prosseguiu afirmando que, como guarda do campo nazista, ele teria supervisionado a locomoção de prisioneiros e “reconhecido a dimensão do assassinato em massa cometido” ali.
Como havia um “alto grau de probabilidade” de sua culpa, Harry S. deve arcar com suas despesas no processo. Não se sabe qual é este valor e se o réu vai recorrer.
Além deste processo, existem três judiciais recentes relacionados ao campo de Stutthof, localizado na Polônia ocupada pelos nazistas.
Um homem, identificado por Bruno Dey, 93, foi condenado em julho de 2020 a dois anos de prisão, mas teve suspensão condicional da pena. Ele foi considerado cúmplice na morte de mais de 5 mil prisioneiros. (com informações da BBC)
“câmaras de gás”
Harry S. teria supervisionado o transporte de quase 600 prisioneiros para as câmaras de gás no campo de Auschwitz-Birkenau em setembro de 1944.
Stutthof também tinha câmaras de gás e ficou conhecido pelas terríveis condições em que os cerca de 100 mil prisioneiros eram mantidos. Muitos morreram de fome e de doenças, enquanto outros foram baleados, submetidos a câmaras de gás ou a injeções letais.
As vítimas incluíam muitos judeus, além de poloneses não-judeus e soldados soviéticos capturados.
“mais de 65 mil pessoas morreram”
Stutthof foi oficialmente designado como campo de concentração em 1942. Foi o primeiro do tipo construído fora das fronteiras alemãs na guerra e o último a ser libertado pelo exército soviético, em 9 de maio de 1945. Acredita-se que mais de 65 mil pessoas morreram ali.
A Alemanha tem processado ex-funcionários de campos nazistas desde uma decisão histórica, em 2011, que condenou um ex-guarda, John Demjanjuk, como cúmplice de assassinatos em massa. Ele morreu enquanto aguardava um recurso, mas o veredito abriu um precedente legal.
Anteriormente, os tribunais exigiam evidências do envolvimento direto de funcionários nas atrocidades cometidas sistematicamente pelo regime nazista.
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