Manaus | 17 de Dezembro de 2018 (Segunda-feira)
As informações foram publicadas pela colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo, que acompanhou as últimas horas do médium antes de ele ser preso.
De acordo com a colunista, João de Deus passou um tempo refugiado em um sítio nos arredores de Goiânia, o lugar é de um familiar de seus integrantes, que foi salvo pelo médium de um câncer terminal na infância.
Os donos da residência, após ouvirem a justificativa de seu isolamento, devido atualmente, as 300 denúncias de mulheres que foram abusadas sexualmente pelo médium, em primeira instância, ficaram surpresos ao serem noticiados, mas devido ao carinho que têm pelo mesmo, resolveram ajudá-lo.
Na sexta-feira (14), a justiça decretou a prisão preventiva de João de Deus, e o seu advogado, Alberto Toron, começou a negociar as condições de sua apresentação, alegando que o objetivo principal é que seu cliente se entregue o mais rápido possível, sem tentativa de fuga.
No entanto, João estava aflito e saiu para um bosque próximo do sítio, se enfiando no meio do mato, montou uma barraca e lá, passou a madrugada de sábado (15). Ele disse que não sairia de lá por nada e que precisava de um tempo para meditar.
Ele chegou a voltar para o sítio apenas para comer algo e tomar banho e, logo em seguida, voltou para o bosque.
Já no domingo (16), o seu advogado já havia concluído a negociação para ele se apresentar na Polícia Civil de Goiás. E, de imediato, foi se reunir com a cúpula da polícia do estado.
A sócia de Toron, Luisa Moraes de Abreu Ferrera, foi de encontro ao médium e se surpreendeu ao saber que o mesmo estaria dormindo no mato. Ao ver a colunista da Folha presenciando o fato, o mesmo a questiona se gostaria de saber de algo, Mônica, aborda sobre as acusações.
“Eu só sei que é uma coisa montada, armada. Para pegar meu dinheiro”, responde.
Em seguida é questionado novamente, mas devido a ser uma possível armação, por que 300 mulheres mentiriam sobre algo tão forte e de maneiras similares, ele virou para a advogada e disse “Eu te contei do telefonema? Me telefonaram e disseram: ‘Vamos colocar 50 [mulheres] para falar mal de você. Se você falar alguma coisa, colocamos 200, e depois, 2.000”.
Após conversas paralelas seguidas de silêncios prolongados, às 16h ele é avisado que seu advogado e os policiais estão à caminho, ele diz à colunista da Folha que “se entregará à justiça divina e a justiça da terra”.
Foto: Igo Estrela/Metropoles/Reuters.
Fonte: Jornalista e Colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo.
Redação por Ana Flávia Oliveira.

