Manaus | 30 de Janeiro de 2019 (Quarta-feira)
O site BBC News Brasil, publicou uma reportagem com relatos e informações de médicos, sobre a lama que percorreu Brumadinho, após o rompimento das barragens, levando parte da mina da Vale, construções e entre outras coisas que estavam no seu caminho.
De acordo com os médicos, a lama trás riscos de curto e longo prazo para quem teve contato com o barro e também para quem vive próximo ao Rio Paraopeba. Riscos de infecções, contaminações, e em casos de prolongados, câncer e doenças autoimunes.
Como explica o médico Marcelo Lopes Ribeiro, diretor assistencial da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), “As doenças infectocontagiosas ou parasitárias podem surgir agora. Como é barro, é córrego, pode ter leptospirose, aumento da dengue e de febre amarela”.
O médico e comentarista da rádio CBN e do canal de TV GloboNews, Luis Fernando Correia, garante que além das doenças de imediato e futuros, também existe o risco de exposição a elementos químicos que podem ser altamente prejudiciais à saúde.
“A qualidade da água dos rios e dos peixes precisam ser monitorados e a população da região precisa ser acompanhada. Daqui a dez anos podem surgir casos de câncer e de doenças autoimunes e podemos não associá-las ao rompimento da barragem”, afirma.
O médico citou um estudo realizado na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que identificou treze elementos químicos, dentre eles, níquel, magnésio e cádmio. Estes usados na mineração.
“São chamados elementos traço e mesmo em quantidade pequena podem ser prejudiciais. O problema é que não é possível medir qual a concentração a qual as pessoas foram expostas”, explicou.
O geólogo e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Bráulio Magalhães Fonseca, afirma que rejeito de mineração contém, basicamente, óxido de ferro, amônia, muita sílica, silte e argila. Acredita-se que essas substâncias encontravam-se nos galpões da Vale juntamente com as que estavam no caminho por onde a lama passou.
“Os rejeitos que chegam aos rios da região podem contaminar a fauna e a flora, eventualmente afetando a cadeia alimentar. Para os humanos os riscos são, principalmente, o consumo de peixes que tenham tido contato com os resíduos e rejeitos acumulados no fundo dos rios. Os resultados poderão ser percebidos somente daqui a décadas”, diz Luis Fernando Correia.
Foto: Pablo Nascimento/R7 Minas.
Fonte: BBC News Brasil.
Redação por Ana Flávia Oliveira.

