Manaus | 6 de junho, 2020 | Sábado
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu nesta sexta-feira (5) o atraso da divulgação dos boletins do Ministério da Saúde sobre o avanço do coronavírus no Brasil e disse que, com a mudança de horário das 19h para as 22h,
“Acabou matéria no Jornal Nacional”. Ele também se referiu à Rede Globo, que veicula o Jornal Nacional, como “TV funerária”.
As declarações ocorreram na porta do Palácio da Alvorada e foram transmitidas pela CNN Brasil.
Na época do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, demitido em 16 de abril, o Ministério da Saúde costumava publicar os boletins da Covid-19, com informações como número de infectados, óbitos e casos em acompanhamento, às 17h. Na gestão de Nelson Teich, a divulgação passou a ser às 19h.
Na quarta-feira (3) e na quinta-feira (4), o Ministério da Saúde só divulgou o boletim às 22h, alegando problemas técnicos.
Nesses dois dias, o Brasil bateu recordes no número de óbitos computados em um dia: 1.349 na quarta e 1.473 na quinta.
O Jornal Nacional, que começa às 20h30, informou que passaria, então, a usar o balanço das secretarias estaduais de Saúde.
Questionado sobre o tema na noite desta sexta, Bolsonaro não confirmou ter dado a ordem para que a divulgação dos números ocorresse depois da exibição do Jornal Nacional e disse que, com o novo horário, os dados saem “mais consolidados”.
“É para pegar o dado mais consolidado. E tem que divulgar os mortos no dia. Por exemplo, parece que dois terços dos mortos eram de dias anteriores, o mais variado possível. Tem que divulgar os do dia. O resto consolida pra trás”, defendeu o mandatário.
Bolsonaro se referiu à metodologia da informação de óbitos em 24 horas. O dado traz o número de registros compilados nas últimas 24 horas, e há casos de pessoas que morreram em dias anteriores mas cujos testes só ficaram prontos e foram computados na data da divulgação.
O presidente, porém, citou o telejornal e disse que o governo “não tem que correr para atender a Globo”.
“Tem que saber quem perdeu a vida por causa da Covid ou com Covid.
Às vezes a pessoa tem dez comorbidades, 94 anos, e pegou o vírus. Potencializa. A Globo, o Jornal Nacional, gosta de dizer que o Brasil é recordista em mortes. Falta, inclusive, seriedade. Bota mortes por milhão de habitante.
É como querer comprar morte do Brasil, que tem 200 milhões de habitantes, com país que tem 10 milhões de habitantes.”
Questionado sobre se a ordem de atrasar a publicação saiu do Palácio do Planalto, Bolsonaro respondeu:
“Não interessa de quem partiu, é justo sair às 22h, é o dado completamente consolidado. Muito pelo contrário, não tem que correr para atender a Globo”.
“[É] o horário adequado. Se ficar pronto às 21h, tudo bem. Mas não vai correr às 18h para atender a Globo, a TV funerária. Consolida com clareza, precisão, data certinho”, concluiu.
Nesta sexta (5), o Ministério da Saúde informou pelo terceiro dia consecutivo que o boletim só seria divulgado às 22h. A pasta afirmou que compila informações fornecidas pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.
“Assim, a pasta analisa e consolida os dados, sendo que em alguns casos há necessidade de checagem junto aos gestores locais.

